sábado, 5 de julho de 2008

Sampetrense é destaque da Folha Rural / Cooxupé pelos १०० anos da Imigração Japonesa


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Hélio Fukumoto, prazer em alimentar nossa gente

“Eu gosto da terra. Fico emocionado em saber que o alimento que eu planto vai matar a fome de muita gente”.

Hélio Fukumoto nasceu em 1959 em Mogi das Cruzes, o único filho do casal Takeo e Chiyono e o primeiro a nascer no Brasil. Antes dele, vieram as irmãs Nobuko e Fumiko, que ainda pequenas acompanharam os pais na longa jornada que tinha, como destino, o porto de Santos. Depois do menino Hélio, nasceram Helena e Alice. Atualmente, os três são cooperados.

Na zona rural de São Pedro da União, cidade de pouco mais de 10 mil habitantes, fomos recebidos pelos irmãos Hélio e Helena, que nos aguardavam para um gostoso café da tarde, bem mineiro, junto ao fogão de lenha: bolo, café e biscoito de polvilho. Evelin, filha caçula de Helena, juntou-se a nós na cozinha. Eles não sabem em que província nasceram os pais, mas guardam muitos retratos da família, inclusive do navio que trouxe os Fukumoto ao Brasil, em 1958.

O pai faleceu em 1991, mas a mãe, Chiyono, acaba de completar 82 anos. “Foi no dia 1º de junho, juntamos toda a família!”, conta Helena. Ela diz que a mãe está agora em Paulínia, com as irmãs, por causa do frio. “Ela gosta demais da roça, mas chega esse tempo a gente tem que pensar na saúde dela, né? Lá as temperaturas são mais amenas”, comenta. Foi na zona rural que Chiyono passou a maior parte de sua vida junto do marido. Eles vieram ao Brasil cheios de expectativa, esperavam fazer a vida cultivando verduras e então retornar ao país de origem. A história desses imigrantes não foi diferente dos demais: não fizeram fortuna como o esperado e voltaram ao Japão apenas a passeio. Uma das filhas, Fumiko, chegou a morar dois anos lá, mas já voltou.

DE SÃO PAULO PARA MINAS
Em Mogi das Cruzes, havia muitos japoneses, que depois de passarem pelas lavouras de café, sem êxito econômico, optavam por outras atividades que permitissem a sua permanência no Brasil: o cultivo de frutas e hortaliças foram as opções. Formava-se, assim, o Cinturão Verde de São Paulo.

De Mogi, a família Fukumoto rumou para Campinas, depois Conchal e Itobi. “Nesta época, tudo que meu pai conseguia lucrar investia na lavoura”, lembra Hélio. Ele diz que no final da década de 70, o tomate estava bom de preço e foi o que os motivou a buscar um pedaço de terra para comprar. “Como por aqui as terras eram menos valorizadas, resolvemos morar em São Pedro da União”, complementa.

Eles compraram o Sítio Monte Verde, de 40 hectares. Primeiro, plantaram legumes - cenoura, beterraba - depois milho, café, feijão. “Hoje temos outro sítio, o Bebedouro, de 40 hectares, para pasto e café. De 15.000 pés, já colhi 100 sacas, mas este ano estou com 45.000 pés entrando em produção”, conta Hélio. Milho, plantou 50 hectares este ano. Ele é cooperado desde 1984 e comercializa 100% com a Cooxupé. Elogia a campanha “Café com Lucro”, “que faz muito pelo produtor” e também não perde uma campanha de cereais. Como hoje a maior renda da família é milho e café, ele comenta que ser cooperado o ajudou a fugir de financiamentos nos bancos: “muita burocracia, muitos riscos”.

Hélio, que pouco quis saber de estudar, diz estar de bem com a vida! Planos? Faz muitos!. Expandir as terras, comprar um carro novo e manter o hábito de viajar com a família para a praia. A esposa, Eneida, é diretora de escola em São Pedro da União. Eles têm um casal: Heriton (19), que faz Engenharia Florestal em Garça (SP); e Herika (17), que estuda no Colégio Dom Inácio, em Guaxupé.

Helena mora na casa ao lado da de Hélio. É casada com o cooperado Ernesto e, além da Evelin (10), eles têm mais dois filhos: Elaine (20) e Emerson (17). A irmã mais nova, Alice, é casada com o cafeicultor Ari, também cooperado e moram no município de Guaxupé.

Unidos, eles celebram a oportunidade de trabalhar com a terra. Hélio é apaixonado pelo que faz: chega a se emocionar ao dizer da satisfação que sente em cultivar alimentos, que sabe que vão matar a fome de muita gente! No oratório da casa, eles colocam frutas e legumes em oferenda, dando graças à oportunidade de plantar. “A guerra é o oposto disso. Guerra não gera resultado positivo para ninguém.”

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